A piscina tinha ½ metro de profundidade e todos os dias várias pessoas tiravam seus sapatos, dobravam as pernas das calças e passavam dentro dela.
Aliviavam seu calor e se divertiam.
Mas um dia, uma menina mudou aquilo. No começo, ela fazia a mesma coisa: tirava seus sapatos, levantava as calças e passava por dentro da piscina. Mas o calor dessa menina aumentava e aumentava a cada vez que passava dentro da piscina e um dia ela percebeu que o que ela queria mesmo era deitar-se inteira na água. Então ali mesmo ela tirou a roupa na frente de todos e deitou-se inteira na piscina.
Ela achava que era o preço a pagar: expor-se daquela maneira em troca do bem estar que só a refrescância de seu imenso calor podia-lhe proporcionar. E lá deitada ela sorriu por um dia inteiro.
Por dois
Por mais dois.
Mas num outro dia, a menina já estava por demais entediada de ali estar deitada, parada. Seu calor persistia e agora uma ansiedade tamanha fazia companhia a ele. Foi quando ela pensou: "Já estou aqui toda dentro d'água, sem roupas a me cobrir. Que mais posso querer eu?"
Era clara a resposta: nada.
Nada mais podia ela querer, então como controlar aquela situação? A menina tinha que achar um jeito de acabar com a ansiedade e terminar com seu calor. Ela respirava fundo, ela esvaziava sua mente, ela não prestava atenção a mais nada ao seu redor e tudo o que fazia era estar ali, deitada, nua e imóvel, concentrada em vigiar se a ansiedade diminuía e se o calor esfriava.
Passou um dia inteiro assim.
Dois. Mais dois.
E ela percebeu que a ansiedade vigiada ainda era ansiedade e pior, começava agora a criar um nervoso, um nervoso tão chato que lhe fazia suar a testa. "Putz! Meu calor aumentou!" pensou ela de primeira. Mas a menina estava enganada - era o nervoso que a fazia suar, pois o calor já esfriara. Então ela teve outra idéia: "Vou precisar de mais água para me refrescar!" E passou a fazer água pelos olhos que escorriam pelo rosto até pingarem na piscina rasa.
E passou o dia inteiro assim.
Mais outro dia.
E outro.
E outros.
Um dia a menina percebeu que o calor havia diminuído e ela conseguia pensar melhor agora. Viu que a ansiedade aumentara com o nervosismo. E finalmente descobriu que tinha achado antes a resposta errada: "Se já estou aqui toda dentro d'água, sem roupas a me cobrir, que mais posso querer eu? " Ora! Era clara a resposta:
Nadar.
Não era o calor demasiado, era a piscina muito rasa!
E a menina saiu, ainda desnuda, para sempre desnuda, à procura de uma piscina funda o bastante para ela e o mergulho, que sem saber anteriormente, sempre ansiou tanto dar.
Imagem: Uwe Loesch Viva 1992

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