quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sim, existem aqueles que entram em Artes Plásticas sabendo o que estão fazendo e onde estão se metendo, têm tudo sob controle e é o que eles sempre quiseram. Não participo desse grupo, o meu grupo é aquele que lá chegou de pára-quedas, que ouviu o que outros (estranhos, muitas vezes) diziam quanto à qualidade dos rabiscos e acreditou, cedo ou tarde (no meu caso tarde), que tinha "talento"ou aquela palavrinha encantadora e enganadora: dom.
Uma vez lá dentro, integrantes desse segundo grupo perdem-se mais ainda, desesperam-se muitas vezes mas acabam encontrando um jeito de alienarem-se a esse sentimento e cabulam as aulas, picareteiam meeeesmo! (Afinal se tudo em arte é possível, nas aulas também o deveria ser). Se entram desenhando, desaprendem o que "conseguem", se entram esculpindo, as formas perdem-se, a academia faz só depois de desfazer. Aliás, a academia mesmo, só desafaz, e te convence que só assim, você, sozinho, poderá ser capaz de fazer algo de fato. Até que - tchatchathcatchaaaaaam -  pessoas como eu envolvem-se com aquela loucura toda e percebem-se, ao menos em essência, artistas!
Wow, então é assim que aquele primeiro grupo se sentia?!! Agora eu entendo... entendo que nada entendo e que talvez nunca venha entender de fato, porque a verdade é aberta, não fechada, não se encerra em palavras ou conceitos. Agora vejo que tudo isso que da modernidade pra cá (artisticamente falando) que as pessoas, de um modo geral, não entendem ou tentam compreender com a frase mais auto depreciativa que existe "Isso eu também faço" é fan-tás-ti-co! É a aceitação e utilização da inerente e irremediável SUBJETIVIDADE. Que em quase todos os aspectos, menos o artístico, é desconsiderada, desvalorizada e substituída pela lógica, pelo concreto, pela racionalização. Não que a Arte não possa ser tudo isso, ela pode e pode mais e mais e mais. Tudo pode ser Arte? SIM! Arte pode ser tudo? SIM! Arte é pensar sobre Arte. Realizar objetos, imagens, movimentos, sons, coisas. Arte é essa palavrinha proibida nos textos formais: coisa.
O ser humano pode coisar, pegar coisas, fazer uma coisa, ouvir uma coisa, dizer uma coisa, ler e escrever uma coisa. Coisa é algo sem definição nítida, mas que dependendo de como se diga/faça/escute, todo mundo sabe do que se está falando, mesmo que não se entenda.
Esquisito, perdido, estranho, doidão? É. Todos somos, aqui ou alí, todos somos.
Somos formados pela expressão, mesmo quando não há comunicação. As imagens (lembrando que sou Artista Plástica) participam da expressão. Somos cercados delas, mesmo aqueles que não enxergam formam imagens mentalmente. Como seriam essas? Não faço a menor idéia e acredito que para quem pode enxergar é impossível imaginar isso, pois para esses, a imaginaçao é formada por - imagens!
Confio na Arte como ferramenta humana, tal como a matemática, a família, a religião (...), possibilitadora de captação do mundo e, consequentemente auto-captação (ou vice-versa).
Confio nas galerias de arte, no simples fato delas existirem, como a assumpçao da relevância da imagem, que falando assim, parece até que é dada pelo ser humano. Mas é muito mais: da relevância da imagem, depende o ser humano. O ser humano depende de auto consciência, foi assim que nós surgimos, percebendo-nos conscientes de nós mesmo e daqueles ao nosso redor, aos poucos, fomos dando maior ou menor importância para tudo isso de acordo com nossas organizações sócio culturais. Bem, aqui estamos, mas aqui nos percebemos afinal? Bom, não sei se apenas Freud, mas para mim, a Arte explica.

2 comentários:

  1. Gostei!
    Começa desiludido, termina desiludido mas sabendo do que se trata na realidade.
    Só fiquei na dúvida sobre "Agora vejo que tudo isso que da modernidade pra cá (artisticamente falando) que as pessoas, de um modo geral, não entendem ou tentam compreender com a frase mais auto depreciativa que existe "Isso eu também faço" é fan-tás-ti-co! É a aceitação e utilização da inerente e irremediável SUBJETIVIDADE. Que em quase todos os aspectos, menos o artístico, é desconsiderada, desvalorizada e substituída pela lógica, pelo concreto, pela racionalização."
    Mais tarde a gente se encontra e conversamos melhor sobre...
    Boa sorte na nova empreitada!
    Bj

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  2. Rô!
    Como você não me avisou do seu blog muié!
    Gostei do texto!

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Resistís, Graduados artistas plásticos! Essa imagem é arte de um rapaz que conhecí no Rio: Andrei Yurievitch! Viu, prometí o nome e cumpri, e pior é que foi super fácil de achar.Se clicar na imagem, abre um link.

ro.v