Esse foi o tema da minha diplomação, procurei algum texto mais resumido para postar aqui mas o menor tinha 15 páginas...
Acho que não consigo pensar resumido sobre gênero e sexualidade, nem sobre imagem. Escolhi esse tema porque não o compreendo bem, não sou tranquila sobre ele e porque cresci ouvindo meu pai dizer que com três mulheres em casa a louça não tinha como ficar suja! O mesmo pai que disse que casar é bobagem e que minha prioridade deve sempre ser eu, que não devia depender de marido e que estudando se chega onde quiser. Hum...
Meu pai é machista? Não mais que eu, de repente, que você também... Aracnis, por mais que tentasse tecer algo original, diferente de tudo o que existisse, não conseguia fugir do que conhecia, do que a tinha formado: a cultura. Bom, nem lembro mais dessa história direito, mas o que guardei foi isso. Enfim, o que me fez escolher esse tema foi o destino (hahaha). Achei que o tinha escolhido para minha diplomação, mas hoje percebo que escolhí Artes Plásticas por ele. A imagem de gênero sempre me fascinou, pro bem e pro mal (lê-se: abertamente, mas também cheia de preconceitos), e mais tarde vim descobrir o que diabos é essa "sexualidade". Ainda dói entender que não se trata apenas de desejos sexuais, mas de relaçãoes de poder (segundo Foucault, pelo menos), mesmo dentre aquelas que não envolvem relações sexuais (segundo Freud, tais relações non ecxistem, son crentices- aí já é segundo Padre Quevedo - hehehe).
Então que imagens seriam essas de gênero e sexualidade senão todas? Dos comerciais de papinha de neném aos comerciais eleitorais, dos outdoors às roupas que escolhemos usar, nossos cortes de cabelo, axilas, pernas, trejeitos - não consigo excluir nada. As imagens não fascinam apenas àqueles que resolveram trabalhar diretamente com elas, fascinam à humanidade, claro! Olhemos ao redor, mesmo os que não podem fisicamente enxergar.
Sei que sou muitas vezes chata em ficar falando disso o tempo todo ou ver esse assunto em tudo, mas fico impressionada como aparecem coisas tão berrantes sobre as quais ninguém comenta! E não estou falando de assuntos bafónicos das celebridades ou novelas, estou falando do dia-a-dia. Como quando uma amiga ficou grávida e fui, acompanhada de outras amigas, assistir ao vídeo pré-natal que revelaria o sexo da criança. Depois de um tour pelos órgão vitais, para mim simplesmente ininteligíveis visualmente falando naquela massa cinza chapiscada que me parece a imagem de um ultra som, eis que surge ela, a racha da criança, portanto, menina. O áudio do vídeo era a voz do obstetra narrando a aparição de cada um dos órgãos, enquanto tentava ajudar o espectador a identificá-lo circulando-o com o mouse (esforço inútil, na minha visão). Quando a criança abriu as perninhas e nos permitiu visulizar sua vagina, veio o tom de encerramento do doutor, aquele também facilmente identificado em narrações futebolísticas, quando a voz vai acalmando, o jogo nos segundo finais: e surge uma linha computadorizada circulando a vagina da criança de onde o doutor puxou uma pequena seta e escreveu ---> Sofia.
Ok, caso você ainda não tenha entendido meu ponto (apesar de, como já notou, eu achá-lo BERRANTE), pergunto: por acaso você tem a foto do seu pênis ou da sua vagina na sua carteira de identidade?!!! Ora, colocações (acredito sim que muito pertinentes) a parte, sei que o ultra som era justamente para saber o sexo da criança. Tivesse escrito ---> Menina! Sei também que o rosto de uma criança dentro do últero é beeeeem igual a quase todos os rostos de crianças dentro do últtero, mas se os pais e familiares se importassem com isso, nao tratariam de já identificarem traços familiares desde lá! Enfim, o que define a criança ser A Sofia é sua vagina?!!! É... eu acho isso, no mínimo, algo a ser pensado!
Exporei mais meus zig milhões de pensamentos sobre o tema em outras postagens, como homem=macho? mulher= fêmea? Um macho pode ser mulher? Uma fêmea é necessariamente uma mulher, independente de sua atividade sexual? Etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, etc, ...., etc, etc, etc...
segunda-feira, 22 de março de 2010
História sobre uma piscina.
A piscina tinha ½ metro de profundidade e todos os dias várias pessoas tiravam seus sapatos, dobravam as pernas das calças e passavam dentro dela.
Aliviavam seu calor e se divertiam.
Mas um dia, uma menina mudou aquilo. No começo, ela fazia a mesma coisa: tirava seus sapatos, levantava as calças e passava por dentro da piscina. Mas o calor dessa menina aumentava e aumentava a cada vez que passava dentro da piscina e um dia ela percebeu que o que ela queria mesmo era deitar-se inteira na água. Então ali mesmo ela tirou a roupa na frente de todos e deitou-se inteira na piscina.
Ela achava que era o preço a pagar: expor-se daquela maneira em troca do bem estar que só a refrescância de seu imenso calor podia-lhe proporcionar. E lá deitada ela sorriu por um dia inteiro.
Por dois
Por mais dois.
Mas num outro dia, a menina já estava por demais entediada de ali estar deitada, parada. Seu calor persistia e agora uma ansiedade tamanha fazia companhia a ele. Foi quando ela pensou: "Já estou aqui toda dentro d'água, sem roupas a me cobrir. Que mais posso querer eu?"
Era clara a resposta: nada.
Nada mais podia ela querer, então como controlar aquela situação? A menina tinha que achar um jeito de acabar com a ansiedade e terminar com seu calor. Ela respirava fundo, ela esvaziava sua mente, ela não prestava atenção a mais nada ao seu redor e tudo o que fazia era estar ali, deitada, nua e imóvel, concentrada em vigiar se a ansiedade diminuía e se o calor esfriava.
Passou um dia inteiro assim.
Dois. Mais dois.
E ela percebeu que a ansiedade vigiada ainda era ansiedade e pior, começava agora a criar um nervoso, um nervoso tão chato que lhe fazia suar a testa. "Putz! Meu calor aumentou!" pensou ela de primeira. Mas a menina estava enganada - era o nervoso que a fazia suar, pois o calor já esfriara. Então ela teve outra idéia: "Vou precisar de mais água para me refrescar!" E passou a fazer água pelos olhos que escorriam pelo rosto até pingarem na piscina rasa.
E passou o dia inteiro assim.
Mais outro dia.
E outro.
E outros.
Um dia a menina percebeu que o calor havia diminuído e ela conseguia pensar melhor agora. Viu que a ansiedade aumentara com o nervosismo. E finalmente descobriu que tinha achado antes a resposta errada: "Se já estou aqui toda dentro d'água, sem roupas a me cobrir, que mais posso querer eu? " Ora! Era clara a resposta:
Nadar.
Não era o calor demasiado, era a piscina muito rasa!
E a menina saiu, ainda desnuda, para sempre desnuda, à procura de uma piscina funda o bastante para ela e o mergulho, que sem saber anteriormente, sempre ansiou tanto dar.
Imagem: Uwe Loesch Viva 1992
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